DIRECTOR DE EMPRESA IMOBILIÁRIA APONTA LACUNAS AO SISTEMA FINANCEIRO
“Investidores estrangeiros não têm confiança total no mercado de Macau”
A RAEM não goza ainda de uma imagem internacional de local seguro para investir no ramo imobiliário, considera o director administrativo da San You. Segundo salienta, os investidores não confiam nas instituições bancárias locais e nos métodos de pagamento existents
EMANUEL GRAÇA
A RAEM precisa de melhorar os sistemas financeiro e de garantias negociais de forma a cativar o investimento das empresas estrangeiras da área do imobiliário. Quem o defende é Timothy Cheong, director administrativo da San You Development, empresa de construção e desenvolvimento.
Segundo o empresário, “os investidores estrangeiros não têm confiança total no mercado de Macau, porque pensam que os canais de comunicação entre as partes não são os melhores”. Em causa estão a fiabilidade do sistema financeiro local e também dos pagamentos.
Para Timothy Cheong, é essencial reverter a situação. Até porque a RAEM é um mercado pequeno e muitas empresas não têm capacidade para, de forma isolada, levar a cabo grandes projectos imobiliários.
Actualmente, a San You está a desenvolver dois complexos no território: o “East Pearl”, em Macau, e o Manhattan Project, na Taipa. Este último é fruto de um acordo com o Citigroup e espelha os esforços dos responsáveis da empresa em aproximar-se dos investidores estrangeiros.
A San You também busca a internacionalização junto dos fornecedores. Por isso, vai aproveitar a Feira Internacional de Macau (MIF), que começa oficialmente no sábado, para procurar melhores materiais a preços mais competitivos entre os expositores estrangeiros. Neste capítulo, Timothy Cheong realça a segurança que a MIF oferece aos investidores, visto que se trata de um certame com organização governamental.
Os países de língua portuguesa estão na lista de compras da San You. “Queremos cooperar com as empresas lusófonas”, assegura o responsável. Entre os materiais que interessam ao grupo estão os mármores.
No que toca à lusofonia, a San You não quer estar apenas na posição de investidor. O objectivo é também apresentar às empresas dos países de língua portuguesa as oportunidades de compra de material da China Continental. Neste caso, a San You funcionaria como plataforma intermediária entre ambas as partes.Toda esta preocupação na internacionalização resume-se num único ponto: os clientes. A San You aposta nos consumidores de topo, os quais são tendencialmente estrangeiros. É o que se passa neste momento: duas em cada cinco pessoas que recorrem aos seus serviços são trabalhadores não-residentes que ocupam altos cargos nas empresas do território.
Para cumprir as exigências dos clientes, a San You diz seguir os principais padrões internacionais na área do mercado imobiliário, nomeadamente ao nível da decoração e “design”. Além disso, a acompanhar o “boom” imobiliário dos últimos anos, a empresa triplicou o número de funcionários. “Queremos que as pessoas que venham para Macau viver escolham os nossos edifícios”, sintetiza Timothy Cheong.
Quanto às críticas de que os preços dos apartamentos, que podem rondar os cinco milhões de patacas, são demasiado altos, a empresa defende-se com a falta de mão-de-obra no sector da construção civil. Por isso, o director administrativo é a favor da abertura da RAEM a outros mercados de trabalhadores.
Para já, os planos de futuro da San You ficam-se por Macau. Embora não descarte a expansão para o exterior, nomeadamente para a China Continental e países lusófonos (especialmente Angola, onde possui boas ligações), nos próximos tempos a empresa considera que o mercado local ainda tem margem de expansão.
Uma das áreas onde não esperam investir é na reabilitação dos bairros antigos. Apesar da San You ter experiência no sector e considerar que este possui boas potencialidades, aponta a dificuldade de obter o acordo de todos os proprietários individuais para poder intervir no edifício. A ordem agora é para construir, mais do que reabilitar.
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