AFIRMA PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE CONVENÇÕES E EXPOSIÇÕES DE MACAU
“É preciso abrir o mercado laboral”

O presidente da Associação de Convenções e Exposições de Macau (ACEM), Jin Zhongyun, salienta que o previsível “boom” da indústria MICE em Macau pode ser estrangulado pela falta de mão-de-obra. Entretanto, garante que as empresas locais do sector não devem temer a competição dos grandes grupos internacionais

O Executivo deve liberalizar o mercado laboral o mais rápido possível, considera o presidente da Associação de Convenções e Exposições de Macau (ACEM), Jin Zhongyun. O risco é que, face à escassez de mão-de-obra, o desenvolvimento da indústria de organização de reuniões, exposições e convenções (MICE) seja prejudicado.

“Este é um dos principais problemas da indústria MICE, mas estamos totalmente confiantes que conseguiremos resolvê-lo”, refere Jin Zhongyun. Para isso, o responsável, que é também director executivo da Nam Kwong (Group) Company, acredita que o Executivo vai abrir o mercado laboral e permitir a trabalhadores de todo o globo vir para Macau.

Na opinião do presidente da ACEM, o actual cenário corre o risco de estrangular não só o desenvolvimento da indústria MICE, mas também da economia da RAEM. Jin Zhongyun recorda o exemplo de Xangai: “A razão pela qual a cidade se tem desenvolvido tão rapidamente na última década foi porque abriu o seu mercado laboral ao mundo”.

Macau já tem exemplos do sucesso que significa a liberalização dos sectores, acrescenta o responsável. Referindo-se à indústria do jogo, salienta que, após a entrada de agentes estrangeiros no ramo, este sofreu um “boom” sem paralelo.

SABER ADAPTAR-SE. Face ao crescente interesse de empresas internacionais de organização de eventos em levar a cabo conferências e exposições em Macau, tem havido alguma preocupação junto dos empresários locais ligados à indústria MICE. Para o presidente da ACEM, isso não faz sentido. “Recebemos de braços abertos os grandes grupos, porque nos podem ajudar”, diz Jin Zhongyun. “ O lado positivo ultrapassa largamente o lado negativo”, acrescenta.

O responsável dá como exemplo as trocas de experiência. E recorda que, em Julho, uma delegação da ACEM e do IPIM se deslocou à Alemanha para conhecer a indústria MICE local e debater futuras parcerias e formas de interacção. “Foi sobretudo uma experiência de aprendizagem”, refere.

Jin Zhongyun salienta a importância dos investidores estrangeiros para o desenvolvimento de novas infra-estruturas para a indústria MICE em Macau, como é o caso do Centro de Convenções e Exposições do Cotai, a cargo da Venettian. E recorda que muitas empresas internacionais já assinaram contratos para realizar grandes feiras e outros eventos nesse espaço. Também há grupos de organização de eventos da China Continental a ponderar a entrada no mercado de Macau.

Além dos novos espaços, existem também políticas de apoio do Executivo ao desenvolvimento da indústria MICE, além da RAEM já estar habituada a ser o palco de grandes organizações internacionais. “Estes três factores vão ajudar Macau a tornar-se num grande destino para convenções, exposições e conferências dentro de três a cinco anos”, garante Jin Zhongyun.

Wall-Mart regressa à MIF

Uma delegação do ramo chinês da cadeia norte-americana de supermercados Wall-Mart vai estar presente na Feira Internacional de Macau (MIF), a decorrer entre 23 e 26 deste mês. Quem o anunciou foi o presidente da Associação de Convenções e Exposições de Macau (ACEM), Jin Zhongyun, acrescentando que isso já aconteceu na edição anterior da MIF. “No ano passado, os responsáveis da Wall-Mart estabeleceram contactos para adquirir alguns produtos locais da RAEM, como foi o caso de doces tradicionais”. Para Jin Zhongyun, “este é um dos exemplos de que a MIF é muito boa a criar oportunidades de negócios”. Outra delegação que vai visitar o evento é a comissão organizadora da China Hi-Tech Fair, um dos maiores eventos do tipo do país, que decorre em Shenzhen. As cooperações não se ficam por aqui: segundo o presidente da ACEM, estão previstos contactos com as comitivas que participam na II Conferência Ministerial do Forum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a decorrer em simultâneo com a MIF.

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