DEFENDE O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL ALEMANHA-MACAU
“RAEM deve apostar em feiras dedicadas a apenas uma indústria”
A especialização temática é o caminho apontado pelo presidente da Associação Comercial Alemanha-Macau, Tony Un, para o crescimento da indústria MICE na RAEM. A isso, o empresário acrescenta a criação de espaços com maior capacidade e a necessidade de mais recursos humanos
A aposta em eventos dedicados a apenas um sector é o caminho que Macau deve seguir no futuro para consolidar a sua indústria de organização de reuniões, exposições e convenções (MICE). A opinião é do presidente da Associação Comercial Alemanha-Macau, Tony Un, que dá o exemplo das feiras germânicas, cotadas entre as maiores do mundo, que enveredaram por essa estratégia. Para já, “a RAEM está limitada ao nível de espaço e de recursos humanos”, diz.
“Daqui a alguns anos, as instalações de Macau destinadas a feiras e convenções vão aumentar de tamanho”, reconhece o responsável. Porém, “depois de melhorado o nível de ‘hardware’, temos que decidir sobre qual o caminho a enveredar”. Por isso, defende, “a RAEM deve apostar em feiras dedicadas a apenas uma indústria, para se posicionar no mercado internacional”.
“Juntar vários sectores numa única feira não tem um impacto tão grande”, considera Tony Un. “Se se tornar o evento específico num tipo de produto, é mais fácil levar os empresários a investir numa vinda à feira, para conhecer melhor a concorrência e o que se faz nos outros países no seu sector”. Nas palavras do responsável, a definição facilita a promoção e o “marketing” do evento.
Não basta especializar as feiras ao nível temático. Para o presidente da Associação Comercial Alemanha-Macau, “é muito importante controlar a qualidade dos expositores”. Entre as características a verificar estão a reputação e credibilidade da empresa e o grau de visibilidade da marca.
INVESTIR EM MACAU. “Na Alemanha, a indústria MICE é uma área muito desenvolvida e profissionalizada”, explica o especialista. Os exemplos são variados: desde a CeBit, a maior feira internacional de tecnologia informática à Drinktec, destinada à tecnologia para bebidas. Tanto que, em Julho, uma delegação da Associação de Convenções e Exposições de Macau e do IPIM deslocou-se a terras germânicas para conhecer a indústria MICE local e debater futuras parcerias e formas de interacção.
No caso da RAEM, apesar de ainda estar a “despertar” para as grandes feiras internacionais, já cativou o interesse de algumas das maiores empresas alemãs da indústria MICE. É o caso da Messe Munchen International (MMI), que, a 5 e 6 de Dezembro, organiza a primeira edição da “Expo Real Asia” no território, uma exposição internacional de imobiliário comercial que dá agora os passos iniciais, mas que pretende afirmar-se como um dos certames mais importantes da área no mercado asiático. Novas edições estão já previstas na RAEM para 2007 e 2008.
Este pode ser o primeiro grande certame internacional a escolher o território como palco. Isto porque a abertura do centro de convenções e exposições do Cotai vai oferecer novas possibilidades a Macau.
Entretanto, cada vez mais empresas internacionais de organização de eventos procuram alternativas a Pequim e a Xangai, devido aos elevados custos destas cidades. Macau perfila-se como uma boa opção, salienta Tony Un. Às novas infra-estruturas, soma-se um bom sistema de transportes, bastantes atracções turísticas e de lazer (incluindo a indústria do jogo) e, claro, preços mais acessíveis.
Este movimento não vai colocar em causa as empresas da indústria MICE de Macau, garante o presidente da Associação Comercial Alemanha-Macau. “A cooperação com empresas internacionais pode ajudar os empresários locais a obter uma boa carteira de contactos”. Por outro lado, acrescenta, se parte do “know how” a nível organizativo pode ser importado, na parte da decoração ou do “catering” têm que ser inevitavelmente usados os recursos locais. “As empresas exteriores vão cooperar com as indústrias locais para obter resultados positivos - não vão ser uma ameaça”.
Qualidade alemã na MIF
A indústria automóvel, logística e turismo são os três sectores com que a Alemanha se vai fazer representar na próxima edição da Feira Internacional de Macau (MIF), a decorrer entre 23 e 26 do próximo mês. Segundo o presidente da Associação Comercial Alemanha-Macau, Tony Un, 20 marcas e 12 empresas germânicas vão marcar presença no certame. Uma delegação que o responsável diz que poderia ter sido maior, caso o espaço de exposição não fosse tão limitado. “Não pudemos atrair muitas das grandes empresas alemãs”, lamenta. Por outro lado, Tony Un explica a escolha dos produtos representados pelo facto da MIF não ser um evento especializado. “Optámos por trazer sectores que também apelam ao consumidor final”, refere. Por isso, haverá igualmente uma campanha para promover a Alemanha como destino turístico durante a MIF. Ao nível de oportunidades de negócio, muitas empresas alemãs ligadas à indústria dos transportes estão a seguir as intenções governamentais de criar um sistema de metro de superfície, revela o presidente da Associação Comercial Alemanha-Macau. Outra aposta relaciona-se com a rede urbana do território: alguns grupos germânicos estão a desenvolver novas tecnologias ao nível da gestão de trânsito, que podem ser aplicadas à RAEM.
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