APOSTA NO PRODUTO DE TIMOR PARA GARANTIR COMPETITIVIDADE
Empresa de Macau quer exporter café para a China Continental
A supressão de taxas alfandegárias sobre o café provindo de Macau é um dos motivos que levou a Chinlumac a reforçar a sua aposta no mercado da China Continental. Para isso, tem como arma o café de Timor-Leste, mais barato e de elevada qualidade
A Chinlumac, em colaboração com a Chip Seng Coffee, a maior empresa de café de Macau, quer entrar em força no mercado chinês. Quem o garante é o director executivo, Eduardo Ambrósio, que acrescenta que o segredo desta aposta está no café de Timor-Leste, de elevada qualidade e preço bastante competitivo.
“Para o consumidor, o preço é muito atraente”, explica o empresário. Isto porque os custos de importação de café a partir da mais recente nação asiática são bastante inferiores aos do Brasil. E nem mesmo as recentes convulsões políticas no país parecem ter afectado gravemente os níveis de importação. “Houve uma quebra, mas a produção já foi retomada”, garante Eduardo Ambrósio.
Entretanto, a aposta no mercado chinês, que é já perseguida pela Chinlumac há alguns anos, está mais próxima de se tornar realidade. A empresa, que já exporta para o sul da China Continental, quer aproveitar ao máximo a supressão de taxas alfandegárias sobre o café provindo de Macau prevista no terceiro suplemento do Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre a China Continental e Macau (CEPA) e que entra em vigor no início do próximo ano.
No entanto, continuam a existir alguns entraves. Como revela Eduardo Ambrósio, um dos principais problemas é o facto das autoridades chinesas apenas permitirem a exportação de café moído, em vez de em grão. Segundo o empresário, isso dificulta o negócio, uma vez que, sob esta apresentação, o produto tem um menor período de durabilidade.
A aposta no mercado chinês faz todo o sentido. O consumo desta bebida tem aumentado exponencialmente no Império do Meio - sobretudo nas cidades, onde está a tomar o lugar do chá como bebida de eleição. Isso mesmo confirma um relatório do Euromonitor International, onde se pode ler que o consumo de café na China Continental mais do que duplicou nos últimos anos. Por outro lado, embora seja um país produtor, a qualidade da bebida “made in China” ainda é relativamente baixa.
Apesar das boas ligações da Chinlumac com os mercados lusófonos - importa café do Brasil e Eduardo Ambrósio é o presidente da Comissão Executiva da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos -, a empresa não tem nos seus planos exportar café de Timor-Leste para outros países de língua portuguesa. Segundo o director executivo, isso prende-se com o facto de muitos desses países já serem produtores ou possuírem empresas a representar este tipo de produto.
No último ano, Macau importou 782,7 toneladas de café. Deste valor, um terço foi reexportado.
MIF COMO MONTRA. A Chinlumac vai ser uma das empresas presentes na próxima edição da Feira Internacional de Macau (MIF), que decorre entre 23 e 26 do próximo mês, na Torre de Macau. O objectivo, diz Eduardo Ambrósio, é promover o café de Timor junto de possíveis investidores da China Continental.
Segundo o director executivo, a feira é um excelente palco para apresentar este tipo de produto. Por isso, a Chinlumac vai apostar numa representação maior do que em anos anteriores, apresentando amostras dos vários tipos de café que representa.
Eduardo Ambrósio tem ainda outros planos. Segundo revelou o empresário, está a ser estudada a criação de uma pequena embalagem temática de café de Timor-Leste, ao estilo de recordação de Macau, para promover o produto junto dos turistas que visitam a RAEM.
A Chinlumac não é única empresa que está apostar no café e no mercado chinês através de Macau. A IPC Holding, do empresário português Vasco Pereira Coutinho, pretende levar a cabo o maior investimento industrial luso na RAEM exactamente neste sector, com a criação de uma fábrica de torrefacção de café no parque transfronteiriço Macau-Zhuhai, um projecto avaliado em quase 200 milhões de patacas. A unidade vai ter uma capacidade máxima de nove mil toneladas anuais - na primeira fase, será de três mil toneladas - e meia centena de funcionários. O objectivo é começar a produção até ao final do primeiro semestre do próximo ano, a qual vai ter como mercados primordiais o Sul da China Continental e Hong Kong.
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