AFIRMA O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE CONSTRUTORES CIVIS DE MACAU
“‘Boom’ do jogo vai estimular
crescimento do mercado imobiliário”
Com a indústria do jogo em plena expansão, o mercado imobiliário está também a verificar um forte crescimento. No entanto, para garantir um desenvolvimento sustentável, o presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau pede responsabilidade a investidores e promotores
O mercado imobiliário de Macau vai crescer bastante nos próximos anos, fruto do “boom” da indústria do jogo. A opinião é do presidente do conselho de administração da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau (ACCEFPM), Tommy Lao, que salienta a importância da informação para que os investidores possam realizar as melhores escolhas.
“Com o ‘boom’ da indústria do jogo, a aposta no mercado imobiliário pode ser uma boa oportunidade para os investidores estrangeiros”, defende Lao. Segundo o responsável, isso deve-se não só ao surgimento de vários complexos imobiliários nos próximos anos, mas também ao crescente número de trabalhadores estrangeiros que esses novos empreendimentos vão captar. “Muita gente vai mudar-se para Macau e precisa de casa”, salienta.
Segundo o dirigente da ACCEFPM, tem sido o crescente interesse de cidadãos de outros países e territórios que justificou o aumento dos preços das casas na RAEM nos últimos anos. Enquanto que, no primeiro semestre de 2002, um metro quadrado de área útil numa propriedade residencial custava, em média, 6 123 patacas, no período homólogo deste ano, esse valor já tinha saltado para 9 748 patacas - um aumento de 59 por cento.
É para tornar este crescimento sustentável que Tommy Lao defende “mais responsabilidade” por parte dos construtores e dos investidores. “É fulcral que quem quer comprar propriedades tenha um melhor conhecimento das novas infra-estruturas que vão criadas ou que estão a ser planeadas no território”, exemplifica Tommy Lao.
Um dos casos a evitar prende-se com os investimentos imobiliários realizados primeiro no ZAPE e depois no NAPE, que acabaram por ser, no primeiro caso, e serão, no segundo, afectados pela criação de novos aterros. Isto porque o seu posicionamento privilegiado junto do Delta do Rio das Pérolas foi ou será afectado, assim como a sua envolvência, influenciando o valor dos imóveis em causa.
Tommy Lao sugere também aos investidores que, quando se preparam para adquirir um imóvel, investiguem o “background” dos construtores. Isto para evitar a compra de casas de baixa qualidade ou com maus acabamentos. Além disso, o responsável salienta a necessidade de garantir a existência de serviço de assistência pós-venda. E recorda que, em caso de insatisfação, existem canais para apresentar queixa, como o Conselho de Consumidores.
UMA PRENDA CHINESA. Um estímulo ao crescimento do mercado imobiliário da RAEM pode vir da China Continental. Isto porque, devido à elevada especulação que está a assolar o território, o Governo Central quer restringir o acesso à compra de residências por parte dos não cidadãos chineses, incluindo os residentes em Macau e Hong Kong. Uma política que pode ter como consequência a transferência de parte dos investimentos para a RAEM.
Tommy Lao prefere ser cauteloso quanto ao impacto da medida. Porém, adianta que “não se pode comparar a qualidade superior das casas de Macau às da China Continental”. Por outro lado, o responsável refere que “o mercado imobiliário da RAEM é muito transparente e eficiente” do que o chinês.
A estas características, soma-se o empenho do Executivo. “O Governo alterou as políticas no que se refere à aquisição de propriedades, diminuindo os prazos legais”, destaca o presidente do conselho de administração da ACCEFPM. “Isto aumenta a confiança dos investidores, visto que permite colocar a propriedade na sua posse de forma mais célere”.
Associação aposta forte na MIF
A Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau (ACCEFPM) tem expectativas elevadas para a Feira Internacional de Macau (MIF), que ocorre na Torre de Macau, entre 23 e 26 do próximo mês. Segundo o presidente, Tommy Lao, a associação vai aproveitar o evento para criar laços de cooperação com outras indústrias, enquanto promove o mercado imobiliário interno, sob o lema “Macau - o local ideal para viver”. Para isso, vai ser distribuído um guia sobre o sector, em chinês, português e inglês. Serão ainda disponibilizados serviços de consultoria e um “shuttle bus” para levar os interessados a ver empreendimentos e apartamentos modelo. Apesar das expectativas, um problema que Lao aponta à MIF é a área limitada de exposição. Por outro lado, o facto de esta ser uma feira generalista leva a que a ACCEFPM aguarde pela edição inaugural da “Expo Real Ásia”, uma feira internacional de imobiliário que se realiza na RAEM em Dezembro.
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