ASSOCIAÇÃO INDUSTRIAL DEFENDE CRIAÇÃO DE MARCAS LOCAIS
Empresários querem apostar no “made in Macau”
A Associação Industrial de Macau quer estimular os “designers” e empresários locais a criar as suas próprias marcas. O objectivo é acrescentar mais-valia à produção feita na RAEM, de forma a penetrar nos mercados europeu e norte-americano, sem esquecer os países lusófonos
A direcção da Associação Industrial de Macau (AIM) quer que o território dê um pulo na escala de valor da indústria do vestuário. Após anos a responder a encomendas de modelos e marcas criadas no exterior, a associação defende que a RAEM deve inverter a estratégia, apostando na criação de marcas e “designs” próprios.
Segundo António Chui Yuk Lum, vice-presidente do conselho de administração da AIM, e Wong Chi Seng, membro da direcção da associação, “a perspectiva é que, no futuro, mais do que um centro de produção de vestuário, Macau possa também ser um centro de criação”. Para isso, “o objectivo é mudar o modelo, estimulando os ‘designers’ e empresários locais a criar as suas próprias marcas e não apenas a receber encomendas”.
Para a AIM, esta aposta no “design” e no “branding” tem um sentido. Segundo os responsáveis da associação, isso pode aumentar a qualidade dos produtos, fazendo com que a posição da RAEM na escala de valor suba, melhorando a imagem do território. Por isso, a AIM planeia brevemente convidar os “designers” locais a apresentar propostas para novas marcas “made in Macau”.
APROVEITAR AS VANTAGENS. Um dos motivos que leva a que a indústria do vestuário da RAEM procure recolocar-se no mercado relaciona-se com as suas vantagens competitivas. Visto que os empresários locais têm facilidades em entrar na China Continental, através das medidas estipuladas pelo acordo CEPA, e também na União Europeia (mediante os laços com Portugal), o objectivo é acrescentar valor aos produtos comercializados. Por outro lado, a elasticidade das fábricas do território, capazes de produzir em pequenas ou grandes quantidades, também favorece a produção de peças de maior qualidade.
Esta é igualmente uma forma de manter a competitividade da indústria do vestuário de Macau. A AIM dá o exemplo de alguns empresários locais que conseguiram implantar-se com sucesso na China Continental, exactamente porque criaram as suas marcas e linhas.
No entanto, ainda há muito por fazer. Por exemplo, a RAEM continua à espera de atingir um acordo com a UE e os Estados Unidos no que toca aos métodos de pagamento. Por outro lado, estes dois mercados estão preocupados com os bens produzidos na China Continental e que depois são ilegalmente introduzidos no território, onde recebem a etiqueta “made in Macau”.
O Executivo tem ainda que explicar aos líderes europeus e norte-americanos as políticas locais que permitem que parte do processo de produção seja efectuado fora da RAEM, desde que a montagem final aconteça em fábricas do território - medidas que permitem que à indústria de Macau ter preços de produção mais baixos. Apesar das dificuldades, a AIM acredita que logo que estes problemas sejam ultrapassados, se vai assistir a “boom” nas exportações para a Europa e Estados Unidos.
Entretanto, outro mercado em que a indústria de vestuário de Macau pretende investir são os países lusófonos, especialmente em África. No entanto, o problema são os pagamentos e uma estrutura bancária ainda débil. Porém, a AIM garante que, no caso dos países de língua portuguesa menos desenvolvidos, há abertura por parte dos empresários da RAEM para praticar preços mais baixos.
FALTA DE MÃO-DE-OBRA PREOCUPA. Para realizar estes planos de expansão, a indústria do vestuário de Macau precisa resolver o problema da falta de mão-de-obra. Apesar de parte da produção já ter sido deslocalizada para a China Continental (caso de Guangdong), o sector continua a ser um dos que mais trabalhadores importa para a RAEM.
“O Executivo percebe a situação da nossa indústria e as nossas necessidades de mão-de-obra”, assegura o vice-presidente do conselho de administração da AIM, António Chui Yuk Lum. “Por isso, há uma cooperação para garantir a importação de trabalhadores estrangeiros”, acrescenta, referindo que, neste momento, a associação e o Governo estudam medidas para desenvolver a indústria do vestuário em Macau.
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